Ele esteve à beira do precipício várias vezes. Ele, tantas vezes chamado de Augusto, agora se desfazia desse nome, se desfazia da sua vida e do seu passado. Ele, chegou novamente à beira do precipício, e, ao contrário do que se pensa, não deixou o impulso o dominar. Não. Ele simplesmente parou. O importante naquele momento não era dar o próximo passo adiante. O importante era observar cuidadosamente a vista do que vinha a seguir. O importante era entrar com cautela no novo mundo.
A gente tem mania de achar que sempre tem alguma coisa faltando. E perdemos um tempo precioso pensando que sempre precisamos de alguém pra nos sentir completos. Que sempre precisamos de dinheiro pra realizarmos nossas vontades. São esses minutos gastos em vão que irão realmente fazer falta no final. O irônico, é que, simplesmente, o que nós precisamos é de tempo. Sempre tempo.
Versos Simples
viola meus sentimentos
da forma mais indecente
e sai com ar de riso
com cara de inocente
finge raiva e desespero
dor de cabeça e lamento
mas no fundo a saudade dói
é pior que qualquer tormento
acha que pode passar por cima
e enterra a certeza em si
finge não dar importância
no fim sempre morro dentro de ti
perdoa, meu coração
amargura só azeda
para tudo e congela
entorpece de insatisfação
não mude de rotina
não finja não sofrer
vomita tudo pra fora
é melhor que se esconder
sequer sobraram palavras
pra rimar com esse fim
por isso termino assim
simples e tristonho
comovido, atento
e até risonho
por lembrares tu de mim
(à J.C.)
da forma mais indecente
e sai com ar de riso
com cara de inocente
finge raiva e desespero
dor de cabeça e lamento
mas no fundo a saudade dói
é pior que qualquer tormento
acha que pode passar por cima
e enterra a certeza em si
finge não dar importância
no fim sempre morro dentro de ti
perdoa, meu coração
amargura só azeda
para tudo e congela
entorpece de insatisfação
não mude de rotina
não finja não sofrer
vomita tudo pra fora
é melhor que se esconder
sequer sobraram palavras
pra rimar com esse fim
por isso termino assim
simples e tristonho
comovido, atento
e até risonho
por lembrares tu de mim
(à J.C.)
Os idiotas se escondem atrás de poemas. Os inteligentes dizem na cara tudo o que há pra ser dito. Mas isso é um dom e nem todos nascem com ele.
Miserável
Só.
Miseravelmente só!
Eu?
Eu não me importo,
vou seguindo de lado,
bem de lado
de tudo aquilo que já fui,
de tudo aquilo que já fiz.
Dessa vez
a velha história se repete,
mas em preto e branco.
Sem cores pra pintar
o mesmo velho drama.
Vou encher as paredes da minha memória
com quadros e fotos minhas
pra esconder todas as rachaduras.
Vou me enganar
até na frente do espelho.
Vou pôr minha cara de coragem
e engolir o teu desprezo
com cachaça e lágrimas.
Vou praticar meu desapego.
Pra quê amigos?
Pra quê dinheiro?
Pra quê amor?
Tenho as paredes do meu quarto.
Elas me conhecem
bem mais do que eu.
E eu nem ligo,
nem ligo que as horas passem rápido.
Afinal,
os ponteiros apressam tua saída.
E enquanto não chega a hora,
vou me escondendo
dos dias que quiseram ficar longos.
Só.
Miseravelmente só.
Desejos
Eu já te tenho em meus braços.
Teu corpo pesa em mim.
Do que mais eu preciso?
Cigarros?
Água?
Som?
Luz?
Não!
O que mais sobrou pra ser desejado?
Sinto que tenho de tudo.
Só preciso de um fôlego pra viver
e continuar te deixando fraco,
mole,
e continuar te amando.
O que é interessante e vem fácil,
é de perder a graça.
Sou seu primeiro e último passo
do pior dia da sua vida.
Sou todos os seus sonhos
presos em um cubo visível.
Sou a maioria dos seus erros
que você decide passar por cima.
Sou a foto em preto e branco
esquecida no seu bolso.
Sou igual ao rosto
de todas as pessoas que você quer esquercer.
Ainda assim, você é tudo o que eu preciso.
do pior dia da sua vida.
Sou todos os seus sonhos
presos em um cubo visível.
Sou a maioria dos seus erros
que você decide passar por cima.
Sou a foto em preto e branco
esquecida no seu bolso.
Sou igual ao rosto
de todas as pessoas que você quer esquercer.
Ainda assim, você é tudo o que eu preciso.
Ao Amante
Ah, já me perdi tanto em devaneios por ele, com ele...
Tenho pra mim que falta-me um pouco de senso de realidade.
Mas um dia eu abro teu coração
seja com uma navalha
com um pedaço de vidro
com um pedaço de sonho
com um pedaço de mim.
Um dia eu chego em você
Seja num livro de Drummond
ou por ondas de TV.
Não vou nem avisar a hora de chegada.
Pra chamar tua atenção
vou me enforcar
na tua gravata mais bonita.
Com o perfume mais doce.
Com o grito mais cortante.
Nem adianta se esconder.
Conheço muita gente.
Ando sempre ao lado dos fantasmas de cada alcoólatra que um dia cometeu um erro...
Ou me deixas entrar ou pulo o teu muro.
Tenho pra mim que falta-me um pouco de senso de realidade.
Mas um dia eu abro teu coração
seja com uma navalha
com um pedaço de vidro
com um pedaço de sonho
com um pedaço de mim.
Um dia eu chego em você
Seja num livro de Drummond
ou por ondas de TV.
Não vou nem avisar a hora de chegada.
Pra chamar tua atenção
vou me enforcar
na tua gravata mais bonita.
Com o perfume mais doce.
Com o grito mais cortante.
Nem adianta se esconder.
Conheço muita gente.
Ando sempre ao lado dos fantasmas de cada alcoólatra que um dia cometeu um erro...
Ou me deixas entrar ou pulo o teu muro.
Derrota!
É o que se passa por dentro
Desprendendo lembranças
Afogando mágoas
Sufocando intensidades
Destruindo a perfeição
Acabando com todas as chances
Descartando o último ás
Trocando o sentimento
que outrora era amor
sabedoria
atração
Agora, vergonha
repulsa
desejo mortal de sair fora
desejo carnal de não te ver
O nome disso?
Ódio!
É o que se passa por dentro
Desprendendo lembranças
Afogando mágoas
Sufocando intensidades
Destruindo a perfeição
Acabando com todas as chances
Descartando o último ás
Trocando o sentimento
que outrora era amor
sabedoria
atração
Agora, vergonha
repulsa
desejo mortal de sair fora
desejo carnal de não te ver
O nome disso?
Ódio!
Não me canso de dizer
De repetir
De tentar entender
Me deixe dormir
Me deixe fingir
Me iluda
E me faça esquecer
Faça o que quiser
Haja o que houver
Que eu morra de cólera
Que o mundo se acabe
Que o céu caia agora
Ou até que o tempo se atrase
Só te peço uma coisa
Bem singela, sem importância
Quando estiveres sozinho
Afogado em tuas lembranças,
Não te esqueças:
Algum dia alguém vai te amar,
Mas nunca como eu.
De repetir
De tentar entender
Me deixe dormir
Me deixe fingir
Me iluda
E me faça esquecer
Faça o que quiser
Haja o que houver
Que eu morra de cólera
Que o mundo se acabe
Que o céu caia agora
Ou até que o tempo se atrase
Só te peço uma coisa
Bem singela, sem importância
Quando estiveres sozinho
Afogado em tuas lembranças,
Não te esqueças:
Algum dia alguém vai te amar,
Mas nunca como eu.
El Caos
É chamado de efeito borboleta. Uma borboleta começa a bater as asas na China e, com o passar de tempo, esse pequeno movimento de ar converte-se em um furacão em São Paulo. Um dia, temos uma borboleta dançando em uma flor. Outro dia, temos pianos incrustrados em árvores. Mas a pequena borboleta não podia saber, afinal, ela só estava na sua busca de alimento, de amor, de algum tipo de satisfação. O que nos diferencia de um peixe dourado, ou de uma borboleta, ou de um ornitorrinco? Nossas mentes? Nossas almas? O fato de assistirmos tv à cabo? Bem, possivelmente seja o fato de que os homens são a única espécie que destrói sua própria espécie e arruina as outras. Teoria do caos? Tenho uma novidade: nós somos o caos, baby.
Dieta
Deixar de comer pela manhã
Deixar de dilacerar cortinas
Deixar que a solidão tome conta
Deixar a fumaça escapar por entre os dentes
Deixar o cigarro queimar por entre os dedos
Deixar de tentar te esquecer
Deixar mania compulsiva
Deixar desleixos
Deixar os outros felizes
Deixar os outros serem felizes
Deixar a modernidade penetrar
Deixar que os pássaros cantem
Deixar que os corpos cansem
Deixar que os peixes se afoguem
Deixar que os insetos descansem
Deixar tua imagem apagada
Deixar o teu gosto mais amargo
Deixar que meus olhos te procurem
Deixar de sentir pena do ontem
Deixar que o relógio atrapalhe
Deixar que a nona valsa toque muda
Deixar de transmutar o coração
Deixar de ouvir as frases certas
Deixar que todas soem erradas
Deixar de ser criança
Deixar de sentir frio
Deixar o medo se esvair
Deixar de dar atenção
Deixar de não querer atenção
Deixar a maldade ser passiva
Deixar a curiosidade ser ativa
Deixar de roer as oportunidades
Deixar de vomitar palavras exóticas
Deixar de pensar coisas inimagináveis
Deixar de chutar as pedras no meio do caminho
Deixar de correr em volta da fogueira
Enterrar a tua roupa e o teu desgosto
Reviver as últimas tardes de outono
Quebrar tua face em mil pedaços
Juntar os cacos das minhas emoções
Embriagar-me de tua saliva
Conhecer teu lado negro
Crer na tua presença
Jogar teu gato pela janela
Fermentar teus vinis e minha sorte
Delimitar um dia pra minha morte
Olhar através da tua pele
Sentir por fora o que há por dentro
Lamentar a falta de tempo
Traduzir tua voz pro meu dialeto
Pichar obsenidades no teu muro
Terminar de forma digna
Te destruir por conveniência
Fazer de conta que nunca aconteceu
Ser apenas mais um na multidão.
Deixar de dilacerar cortinas
Deixar que a solidão tome conta
Deixar a fumaça escapar por entre os dentes
Deixar o cigarro queimar por entre os dedos
Deixar de tentar te esquecer
Deixar mania compulsiva
Deixar desleixos
Deixar os outros felizes
Deixar os outros serem felizes
Deixar a modernidade penetrar
Deixar que os pássaros cantem
Deixar que os corpos cansem
Deixar que os peixes se afoguem
Deixar que os insetos descansem
Deixar tua imagem apagada
Deixar o teu gosto mais amargo
Deixar que meus olhos te procurem
Deixar de sentir pena do ontem
Deixar que o relógio atrapalhe
Deixar que a nona valsa toque muda
Deixar de transmutar o coração
Deixar de ouvir as frases certas
Deixar que todas soem erradas
Deixar de ser criança
Deixar de sentir frio
Deixar o medo se esvair
Deixar de dar atenção
Deixar de não querer atenção
Deixar a maldade ser passiva
Deixar a curiosidade ser ativa
Deixar de roer as oportunidades
Deixar de vomitar palavras exóticas
Deixar de pensar coisas inimagináveis
Deixar de chutar as pedras no meio do caminho
Deixar de correr em volta da fogueira
Enterrar a tua roupa e o teu desgosto
Reviver as últimas tardes de outono
Quebrar tua face em mil pedaços
Juntar os cacos das minhas emoções
Embriagar-me de tua saliva
Conhecer teu lado negro
Crer na tua presença
Jogar teu gato pela janela
Fermentar teus vinis e minha sorte
Delimitar um dia pra minha morte
Olhar através da tua pele
Sentir por fora o que há por dentro
Lamentar a falta de tempo
Traduzir tua voz pro meu dialeto
Pichar obsenidades no teu muro
Terminar de forma digna
Te destruir por conveniência
Fazer de conta que nunca aconteceu
Ser apenas mais um na multidão.
Trilha
Estou voltando ao início,
Pra hora em que te conheci.
Não me peça desculpas,
Você não sabe o quanto é agradável.
Eu tenho mesmo que te encontrar.
Pergunte-me qualquer coisa,
Desvende meus segredos.
Correndo na frente dos minutos,
Como numa fábula.
Quero viver de coisas boas,
Quero morrer por algo melhor ainda.
Preso ao teu pulso,
Disfarço teus medos,
Refaço toda a tua história.
Diga-me o que quero ouvir.
Deixa a chuva tornar esse presente mais que perfeito.
Este é o segundo caminho.
E é incrível,
As coisas ficam mais fáceis.
Estou revivendo o melhor do passado.
Volte comigo ao começo.
Replicante
Algo me falta.
Algo que não envelhece,
Mesmo com a modernidade dos tempos.
Algo que não se acaba,
Assim como a infinidade dos céus.
Algo que não posso encontrar
Em nenhum outro rosto.
Algo que te pertence.
Por isso
Vou decorando teu gosto,
Sem fazer nenhum esforço.
Como um reflexo condicionado,
Replicante e imutável,
Livre de qualquer obrigação.
Sozinho em meu silêncio,
Decaído e esquecido,
Procuro por algo
Entre o pecado e o vício
Que me faça entender o motivo
Da vida ser bem mais perigosa que a morte.
Estou calmo, curioso,
Previsível, entediado.
Procuro uma rima para o meu fim.
Ausência
Três dias de tua ausência,
Não preciso mais do olhos teus.
Ainda assim, quando me sentir só,
Recosto minha cabeça no colo de Deus.
Não preciso mais do olhos teus.
Ainda assim, quando me sentir só,
Recosto minha cabeça no colo de Deus.
Ao Amor.
Ambiguidade.
Amores ardem,
Amores acabam,
Amores aliviam,
Amores afogam.
Alguns até acham
Afasia agonizante.
Ante-pós-tudo.
Artilharia articulada,
Arquiinimigo argumentário.
Ainda acredito.
Amantes apreciam amar,
Alto-mar.
Alternando as acompanhantes,
Antagônico ao amor,
Ainda ando ansioso, ambicioso,
Atroz aniquilador.
Aproveito,
Aprovo.
Atração, atrapalhação.
Antes amor,
Agora antítese,
Arrependimento,
Adivinhação anunciaria,
Alma acabada.
Amo?
Almejo!
Alheio às aceitações,
Apeteço aos abraços, arfante.
Aceito as adversidades,
Atesto as alegrias.
Audácia atuante.
Arte!
Arte ao amor,
Arte ao amar,
Alusão amarga.
Amortece,
Anestesia,
Atrocidade.
Aconchega as agonias,
Analisa as alegrias.
Afeição atuante,
Adoração, androgenia.
Âncora ao afundar.
Ainda assim, “amo”.
Amo assustadoramente,
Amo apressadamente.
Apropriação adversa.
Agora acabo.
Ao amor,
Apenas assinto.
Arrisco,
Acabo amando.
Ao amor, aspas.
Apenas aspas.
Bem-vindo à vida
Então, o que nós aprendemos? Qual foi a lição de hoje, depois de incessantes dias e noites? Que a moralidade é efêmera? Que a virtude não pode existir sem violência? Que ser honesto é um defeito? Que dar e receber amor tanto nos rebaixa quanto nos eleva? Que Deus, Alá ou Jeová sabem responder perguntas que nós nem ousamos fazer? A história é simples. Um homem vive e morre. Como ele morre, é fácil saber. Quem era ele e por que ele morreu é a parte complicada... a parte humana... é a única parte que vale a pena entender.
Paz.
Paz.
Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.
Acabou o carnaval. Como se retoma o curso de uma antiga vida? Como se segue em frente, quando, no íntimo, começa-se a entender que não há volta? Há certas coisas que o tempo não pode curar. Algumas feridas são tão profundas que nos acompanham para sempre.
Sob a luz do luar.
É por estar só e por estar tão só, que sigo lendo meus poemas, formando novas palavras e contando estrelas...
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