Deixar de comer pela manhã
Deixar de dilacerar cortinas
Deixar que a solidão tome conta
Deixar a fumaça escapar por entre os dentes
Deixar o cigarro queimar por entre os dedos
Deixar de tentar te esquecer
Deixar mania compulsiva
Deixar desleixos
Deixar os outros felizes
Deixar os outros serem felizes
Deixar a modernidade penetrar
Deixar que os pássaros cantem
Deixar que os corpos cansem
Deixar que os peixes se afoguem
Deixar que os insetos descansem
Deixar tua imagem apagada
Deixar o teu gosto mais amargo
Deixar que meus olhos te procurem
Deixar de sentir pena do ontem
Deixar que o relógio atrapalhe
Deixar que a nona valsa toque muda
Deixar de transmutar o coração
Deixar de ouvir as frases certas
Deixar que todas soem erradas
Deixar de ser criança
Deixar de sentir frio
Deixar o medo se esvair
Deixar de dar atenção
Deixar de não querer atenção
Deixar a maldade ser passiva
Deixar a curiosidade ser ativa
Deixar de roer as oportunidades
Deixar de vomitar palavras exóticas
Deixar de pensar coisas inimagináveis
Deixar de chutar as pedras no meio do caminho
Deixar de correr em volta da fogueira
Enterrar a tua roupa e o teu desgosto
Reviver as últimas tardes de outono
Quebrar tua face em mil pedaços
Juntar os cacos das minhas emoções
Embriagar-me de tua saliva
Conhecer teu lado negro
Crer na tua presença
Jogar teu gato pela janela
Fermentar teus vinis e minha sorte
Delimitar um dia pra minha morte
Olhar através da tua pele
Sentir por fora o que há por dentro
Lamentar a falta de tempo
Traduzir tua voz pro meu dialeto
Pichar obsenidades no teu muro
Terminar de forma digna
Te destruir por conveniência
Fazer de conta que nunca aconteceu
Ser apenas mais um na multidão.
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