Miserável
Só.
Miseravelmente só!
Eu?
Eu não me importo,
vou seguindo de lado,
bem de lado
de tudo aquilo que já fui,
de tudo aquilo que já fiz.
Dessa vez
a velha história se repete,
mas em preto e branco.
Sem cores pra pintar
o mesmo velho drama.
Vou encher as paredes da minha memória
com quadros e fotos minhas
pra esconder todas as rachaduras.
Vou me enganar
até na frente do espelho.
Vou pôr minha cara de coragem
e engolir o teu desprezo
com cachaça e lágrimas.
Vou praticar meu desapego.
Pra quê amigos?
Pra quê dinheiro?
Pra quê amor?
Tenho as paredes do meu quarto.
Elas me conhecem
bem mais do que eu.
E eu nem ligo,
nem ligo que as horas passem rápido.
Afinal,
os ponteiros apressam tua saída.
E enquanto não chega a hora,
vou me escondendo
dos dias que quiseram ficar longos.
Só.
Miseravelmente só.
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