Replicante


Algo me falta.
Algo que não envelhece,
Mesmo com a modernidade dos tempos.
Algo que não se acaba,
Assim como a infinidade dos céus.
Algo que não posso encontrar
Em nenhum outro rosto.
Algo que te pertence.

Por isso
Vou decorando teu gosto,
Sem fazer nenhum esforço.
Como um reflexo condicionado,
Replicante e imutável,
Livre de qualquer obrigação.

Sozinho em meu silêncio,
Decaído e esquecido,
Procuro por algo
Entre o pecado e o vício
Que me faça entender o motivo
Da vida ser bem mais perigosa que a morte.

Estou calmo, curioso,
Previsível, entediado.
Procuro uma rima para o meu fim.

Ausência

Três dias de tua ausência,
Não preciso mais do olhos teus.
Ainda assim, quando me sentir só,
Recosto minha cabeça no colo de Deus.


Ao Amor.


Ambiguidade.
Amores ardem,
Amores acabam,
Amores aliviam,
Amores afogam.
Alguns até acham
Afasia agonizante.
Ante-pós-tudo.
Artilharia articulada,
Arquiinimigo argumentário.
Ainda acredito.
Amantes apreciam amar,
Alto-mar.
Alternando as acompanhantes,
Antagônico ao amor,
Ainda ando ansioso, ambicioso,
Atroz aniquilador.
Aproveito,
Aprovo.
Atração, atrapalhação.
Antes amor,
Agora antítese,
Arrependimento,
Adivinhação anunciaria,
Alma acabada.
Amo?
Almejo!
Alheio às aceitações,
Apeteço aos abraços, arfante.
Aceito as adversidades,
Atesto as alegrias.
Audácia atuante.
Arte!
Arte ao amor,
Arte ao amar,
Alusão amarga.
Amortece,
Anestesia,
Atrocidade.
Aconchega as agonias,
Analisa as alegrias.
Afeição atuante,
Adoração, androgenia.
Âncora ao afundar.
Ainda assim, “amo”.
Amo assustadoramente,
Amo apressadamente.
Apropriação adversa.

Agora acabo.
Ao amor,
Apenas assinto.
Arrisco,
Acabo amando.

Ao amor, aspas.
Apenas aspas.