Entrelinhas

Mastiguei cada palavra,
engoli todas com medo.
Algumas desceram
e saciaram meu estômago.
Outras passaram pelo peito
e voltaram à superfície.
Encheram minha boca
e sorrateiramente saíram.
Todas soaram como acerto
mas algumas se perderam no ar.
Outras foram ao chão.
As poucas que chegaram
ao pé do teu ouvido
quiseram voltar com nervosismo.
Mas a força do meu fôlego
permitiu que continuassem
e adentrassem por tua cabeça.
Não perderam tempo.
Foram logo procurar tuas veias
e quando enfim acharam,
foram direto ao coração
que em meio à tanta surpresa,
se encheu de silêncio
para que as palavras,
e somente elas,
ecoassem pelo resto do corpo.
Não precisei dizer mais nada,
nem precisaste tu
devolver cada palavra.
E em meio à tanto desconcerto,
tanto desazo,
cada gesto teu,
desde um piscar de olhos
até quando teus braços
que em ato de rebeldia
decidiram me envolver,
dispensaram cada letra,
provando que o silêncio
é a linguagem das almas ansiosas.

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